A arte (sustentável) de reconstruir um museu

Restauração das fachadas e esquadrias do Museu da Língua Portuguesa preserva patrimônio histórico e tem sustentabilidade como premissa: cerca de 85% da madeira utilizada vem de material reaproveitado do próprio edifício

Intervenção feita sobre um bem histórico de forma a manter sua identidade e aspectos característicos de época, a arte da restauração tem como objetivo restabelecer a obra original ao máximo, preservando seu valor e sua identidade.

Na restauração do Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo, madeiras com mais de 70 anos ganham nova vida para a recuperação das esquadrias e fachadas atingidas pelo incêndio de dezembro de 2015. O trabalho de reparação da ambiência arquitetônica do edifício – um marco da época de ouro das ferrovias no Brasil – vem mobilizando uma equipe de restauradores, auxiliares de restauro, mestres de carpintaria e mestres estucadores, que se dedicam diariamente ao resgate das formas originais.

Mais de 300 esquadrias estão sendo restauradas ou refeitas. Foi instalada uma marcenaria no primeiro andar do edifício, onde o material parcialmente carbonizado, peroba do campo rosa e amarela, é restaurado e reutilizado na obra. O desafio é recuperar o prédio, dentro das técnicas atuais de restauro, preservando todos os seus aspectos históricos – os restauradores utilizam modelos registrados no início do século 20, época da construção da Estação da Luz; em 1946, quando o edifício também foi atingido por um incêndio; e pequenas modificações feitas em 2006 para a utilização do prédio como museu.

Cerca de 85% da madeira necessária para a recuperação das esquadrias é reutilizada do material já existente no edifício: dos 20m³ de madeira necessários para a restauração, 17m³ são reaproveitados da sustentação da cobertura do prédio. A sustentabilidade é premissa para todas as etapas do projeto. Toda a reconstrução do Museu segue as diretrizes de sustentabilidade necessárias para a obtenção do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Entre as ações, estão a redução do consumo de energia; coleta de água de chuva para irrigação, gestão de resíduos durante a obra e o uso de madeira certificada.

A previsão é que as obras das fachadas e esquadrias terminem em outubro. Na próxima etapa, tem início a reconstrução da cobertura do edifício, com previsão de duração de 10 meses.

O Museu da Língua Portuguesa é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, concebido e realizado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Tem como patrocinador máster a EDP, como patrocinadores o Grupo Globo e o Grupo Itaú e o apoio do Governo Federal, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O IDBrasil é a organização social responsável pela gestão do Museu.

Histórico da reconstrução

Apenas 48 horas após o incêndio, foram iniciadas as ações emergenciais na Estação da Luz e no Museu da Língua Portuguesa, com o objetivo de preservar o conjunto arquitetônico, protegendo as áreas descobertas das chuvas e retirando os escombros.
Em janeiro de 2016, foi firmado convênio entre a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, a Fundação Roberto Marinho e a organização social IDBrasil, com o objetivo de reconstruir o Museu da Língua Portuguesa. A Fundação Roberto Marinho, instituição ligada ao Grupo Globo, responsável pela criação original do Museu da Língua Portuguesa, é responsável pela concepção e realização do projeto, em parceria com o Governo do Estado do São Paulo. Ao longo de todo ano de 2016, o IDBrasil realizou atividades educativas e exposições itinerantes em São Paulo.
Em 12 de dezembro de 2016, o Governo do Estado de São Paulo e a Fundação Roberto Marinho anunciaram a consolidação da aliança solidária em prol do Museu da Língua Portuguesa. A EDP é patrocinadora máster. E Grupo Itaú e o Grupo Globo são patrocinadores do Museu, que contará ainda com apoio da Lei Federal de incentivo à Cultura. As obras de reconstrução se iniciaram em 21 de dezembro de 2016.

Sobre o Museu da Língua Portuguesa:

Em 10 anos de funcionamento, o Museu recebeu cerca de 4 milhões de visitantes (319 mil destes em ações educativas). Primeiro do mundo totalmente dedicado a um idioma, trouxe ao país um novo conceito museográfico, que alia tecnologia e educação. Com uma narrativa audiovisual e ambientes imersivos, permitiu aos visitantes descobrir novos aspectos do idioma, elemento fundador da cultura do país. Foi eleito pelo Trip Advisor um dos três melhores museus do Brasil e da América Latina em 2015. Sua instalação na Estação da Luz é simbólica: foi ali o ponto de chegada de imigrantes de vários lugares do mundo, com diferentes idiomas e sotaques, no coração de São Paulo – maior cidade de falantes de português do mundo.