A Língua Portuguesa em Nós – Lisboa

Exposição do Museu da Língua Portuguesa que retrata a história e a diversidade do idioma chega a Portugal depois de passar por países da África e pelo Brasil. Abertura ao público será dia 6 de outubro no MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), Central Tejo

Primeiro museu no mundo totalmente dedicado a um idioma, o Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado na Estação da Luz, prédio-símbolo de São Paulo, em 2006. Em quase dez anos de funcionamento recebeu cerca de 4 milhões de visitantes. Hoje está em reconstrução.

O Museu da Língua Portuguesa, atualmente em reconstrução em São Paulo, no Brasil, chega a Lisboa no próximo dia 6 de outubro, ao MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), ao edifício da Central Tejo. A exposição itinerante “A Língua Portuguesa em Nós” leva parte do acervo do Museu, propondo diálogos e trocas com os falantes da língua portuguesa no mundo. A exposição vem percorrendo países da África onde se fala português – desde maio, já foi exibida em Cabo Verde, Angola e Moçambique – e também foi montada no Brasil, onde estreou na 16ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty.

Com consultoria de conteúdo do compositor, escritor e professor de Literatura brasileiro José Miguel Wisnik, e da socióloga e cineasta Isa Grinspum Ferraz, o conteúdo faz um passeio pela presença da língua portuguesa no mundo – atualmente cerca de 260 milhões de pessoas falam português nos cinco continentes –, aborda o contato com outros idiomas e a importância da língua portuguesa na formação cultural brasileira.

“A Língua Portuguesa em Nós” em Lisboa é uma iniciativa do Itamaraty, em parceria com a Fundação Roberto Marinho e o Museu da Língua Portuguesa, com organização da EDP, da Fundação EDP e apoio do Ministério da Cultura Portuguesa, do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, do Instituto Camões, da Embaixada do Brasil em Lisboa e da CPLP.

 

Instalações audiovisuais do Museu em São Paulo

Duas experiências audiovisuais apresentam o acervo do Museu da Língua Portuguesa. A Praça da Língua reproduz a experiência-símbolo do Museu, uma instalação imersiva com pérolas da criação artística em língua portuguesa, que formam um mosaico de músicas, poesias, trechos literários e depoimentos. A área Música e Culinária, por sua vez, aborda a relação entre língua, identidades e culturas.

Em seu conteúdo, a exposição acompanha a expansão do idioma a partir dos roteiros da navegação portuguesa: no título, a referência aos “nós” da navegação, aos “nós” de união entre os falantes e também aos “nós” de embaraço nas relações, a partir de questões como a colonização.

Uma programação cultural diversa e exclusiva é organizada para cada país. No MAAT, com curadoria de Mirna Queiroz, editora da revista Pessoa, serão promovidas mesas literárias, oficinas culturais, sessões de filmes e apresentações de livros de autores contemporâneos de língua portuguesa.

Já no espaço chamado Cápsula, o visitante é convidado a gravar em vídeo seu depoimento sobre sua relação com o idioma: os testemunhos passarão a fazer parte do acervo do Museu da Língua Portuguesa, cujas obras de reconstrução terminam em dezembro de 2019. O Museu, um dos mais visitados do Brasil, foi destruído por um incêndio em dezembro de 2015.

A exposição chega a Lisboa após sucesso de público na itinerância pelos países de língua portuguesa na África – foram mais de 6 mil visitantes em Cabo Verde, Angola e Moçambique e o período das exposições foi expandido devido à grande afluência de público. A programação cultural também teve participação de jovens estudantes dos respectivos países, que foram mediadores das atividades educativas.

 

Papel internacional da Língua Portuguesa

“A itinerância do Museu da Língua Portuguesa é um compromisso da presidência pro tempore brasileira na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP (2016-2018).  É uma oportunidade de perceber e celebrar as diferenças e as semelhanças entre as diversas variantes que engrandecem nossa língua comum. Para o Itamaraty, a iniciativa reveste-se de especial importância pela ênfase que dá ao papel internacional da língua portuguesa, um eixo central de nossa política externa. Também nos orgulha contribuir para o enriquecimento do acervo de prestigiado museu do Brasil, que viaja a Angola, Cabo Verde, Moçambique e Portugal como um museu do português brasileiro, mas traz na volta todo um novo conteúdo do português no mundo para o Brasil”, afirma Aloysio Nunes, Ministro das Relações Exteriores do Brasil.

Para Miguel Coutinho, administrador e diretor geral da Fundação EDP, “o Museu da Língua Portuguesa é um projeto tão ímpar como agregador naquela que é a sua missão de valorização da língua portuguesa. É para a Fundação EDP um orgulho trazer a Portugal esta exposição sobre a história e a riqueza de um património que une cerca de 260 milhões de pessoas no mundo”.

“A chegada dessa exposição a Portugal – após percorrer Brasil, Moçambique, Cabo Verde e Angola – tem um forte simbolismo para nós, constituindo uma celebração dos laços do idioma que une todos os países lusófonos. A EDP, uma multinacional portuguesa presente em 16 países, orgulha-se de promover a valorização do nosso patrimônio linguístico, e foi nesse contexto que assumiu o compromisso de ser a principal patrocinadora da recuperação do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo”, afirma Miguel Setas, presidente da EDP no Brasil.

“Nesta exposição, abordamos os ‘nós’ da nossa língua: os laços, os embaraços e os núcleos sempre móveis pelos quais uma língua permeia diferentes culturas e, de uma forma mais ampla, a vida humana. E neste momento, em que o Museu da Língua Portuguesa está em reconstrução, essa aproximação com os nós da língua portuguesa no mundo, incorporando a ele outros elos que ainda lhe faltam, ganha uma dimensão ainda mais ampla”, diz o presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho.

“A língua portuguesa é um patrimônio global e em constante transformação. A iniciativa de levar uma exposição do Museu da Língua para outros países reforça a importância dessa instituição, que permanece viva e promovendo atividades de qualidade mesmo durante a reconstrução de sua sede em São Paulo”, afirma Romildo Campello, secretário da Cultura do Estado de São Paulo.

O Museu da Língua Portuguesa é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, concebido e realizado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Tem como patrocinador principal a EDP, patrocinadores Grupo Globo, Grupo Itaú e Sabesp e apoio do Governo Federal, por meio da lei federal de incentivo à cultura. O IDBrasil é a organização social responsável pela gestão do Museu.

 

SERVIÇO – A Língua Portuguesa em Nós

6 a 21 de outubro de 2018

MAAT, edifício da Central Tejo

Av. Brasília, Central Tejo

1300-598 Lisboa

(+351) 210 028 130

www.maat.pt

 

PROGRAMAÇÃO CULTURAL:

6 de outubro, às 16h

Mesa literária: Jogo de Imitação

Autores:  Bruno Viera do Amaral, Golgona Anghel e Luís Cardoso de Noronha

Mediação: José Mário Silva

Numa comunidade formada por nove países em que o português está em contato com mais de 300 línguas autóctones, como a literatura faz e desfaz os seus nós? O confronto dos repertórios linguísticos, temáticos e estéticos permite traçar as afinidades, influências ou contrastes no cenário literário de língua portuguesa. Com autores que incorporam nas suas obras referências ao vasto universo cultural dessa comunidade, o encontro discute o impacto que autores de um país exercem sobre os de outros e os processos de metabolismo ou de rejeição de elementos alheios.

 

Dia 7 de outubro, às 16h

Para jovens: Workshop de ready-mades, criação literária baseada na apropriação de palavras alheias. Com João Concha, editor, arquiteto, ilustrador.

Duração 60 minutos

Idade recomendada: 14 a 16 anos

Máximo de inscritos: 25

Noção geral do conceito de ready-made, as principais influências desse movimento e de sua relação com as técnicas atuais, como as digitais, na radicalização da experiência com a linguagem. Em seguida, os participantes produzem seus próprios trabalhos.

 

Dia 11 de outubro, às 18h30

Cine CPLP

Exibição do filme “O dia em que explodiu mabata bata” (Moçambique)

 

Dia 13 de outubro, às 16h

Mesa literária: Gramática do devaneio

Autores: Ana Kiffer, Dulce Maria Cardoso e José Riço.

Mediação: Mariana Oliveira

Desejos, fantasias, medo, culpa, pulsões de vida e de morte atravessam a literatura dos convidados dessa mesa. E como tratam esses temas? Com as vísceras expostas da linguagem, instaurando um novo léxico? Os autores vão analisar aqui como apresentam ou representam a descida às zonas do corpo e do consciente dos seus personagens sem cair nas armadilhas da condenação moral ou do registro abjeto.

 

Dia 14 de outubro, às 16h

Sessão de leitura (close-reading)

Com o poeta, professor e crítico literário António Carlos Cortez

Duração: 60 minutos

Máximo de inscritos: 25

O autor irá debruçar-se sobre cinco poemas de autores de Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Moçambique. Após a leitura, segue-se o comentário a cada poema lido. No fim da sessão haverá música, para que o público possa comparar como a apropriação musical da poesia pode revelar aspectos menos óbvios dos sons e sentidos dos poemas.

Os poemas:” João Cabral de Melo Neto (Brasil) – “Os três mal amados”; Gastão Cruz (Portugal) – “Dentro da vida”; Conceição Lima (São Tomé e Príncipe) – “A mão”; Mbate Pedro (Moçambique) – “Querem-me à guerra” e Francisco Sá de Miranda (Portugal) – “Comigo me desavim”.

 

Dia 15, às15h

A língua portuguesa em fluxo

15h30 às 17h – Painel 1
Crioulos de base portuguesa: génese e geografia

Hugo Cardoso (Universidade de Lisboa)

Transfusões lexicais entre o português e outras línguas do mundo
Ivo Castro [ou Esperança Cardeira] (Universidade de Lisboa)

 

17h30 às 19h – Painel 2

Os mo(vi)mentos da língua: práticas e lugares da língua em contextos da diáspora portuguesa, às 17h30

Maria Clara Keating (Universidade de Coimbra)

A emoção da língua: o português como elo identitário e cultural nos círculos da emigração

Elsa Lechner (Universidade de Coimbra)

 

Dia 18, às18h30

Cine CPLP

Exibição do filme “O Calvário de Joceline” (Angola)

 

Dia 20, às 16h

Cine CPLP, seguido de debate

Com Cláudia Clemente

Exibição do filme “O dia em que as cartas pararam” (Portugal). A autora e realizadora fala da experiência de transpor o livro para a linguagem cinematográfica, as perdas e ganhos nesse processo e o impacto na recepção das duas obras.

 

Dia 21, às 16h

Cine CPLP, seguido de debate

com Léa Teixeira. Mediação de Ana Sousa Dias.

Exibição do filme “A felicidade de Margô” (Brasil). Panorama da produção e co-produção cinematográfica no espaço lusófono. Léa Teixeira falará sobre a captação de apoios para o Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, estratégias de  alargamento do circuito de exibição, de atração do público e dos principais resultados e desafios do setor de audiovisual e do recorte em torno da língua.

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA

Em Lisboa

Herica Marco – herica.marmo@approach.com.br – +351 927588060
Carolina Ribeiro – carolribs@gmail.com – +351 912 388 867

No Brasil

Luciana Gondim – luciana.gondim@frm.org.br –  + 55 21 32328921

Adriana Martins – adriana@frm.org.br + 55 21 32328864

Flávia Dratovsky – flavia.approach@frm.org.br + 55 21 32328901